sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Montagem de Possibilidade de Automação - "Museu-Cinema Interativo"

Foi feita uma discussão em sala de aula sobre possibilidades do uso da automação como forma de intervir na arquitetura, porém de maneira interativa e criativa. Aprendemos mais sobre Eletrônica Interativa em um breve workshop, por meio do qual conhecemos diversos sensores (luz, ruído, movimento, presença, etc.) e atuadores (lâmpada, ventoinha, motor, led, etc.). O desafio era criar um ambiente interativo que afetasse positivamente as pessoas, fosse interessante, que estabelecesse uma reação e que tivesse ausência de finalidade (ganhar ou perder, sim ou não, etc.).
Em síntese, deveríamos escolher um dos 4 croquis da escola que fizemos e criar uma intervenção automatizada nele e, por meio do programa de edição Photoshop CS6, representar essa intervenção por meio de colagens croqui/foto.

A minha ideia, que chamei de "Museu-Cinema Interativo", consiste em uma pequena sala revestida de tecido preto, localizada em um mezanino que antecede a entrada do auditório da Escola e que também dá acesso ao Museu da Escola de Arquitetura e a outras salas como a do Diretor. Dentro dessa pequena sala estaria uma televisão exibindo um documentário que conta a história da Escola de Arquitetura da UFMG. O áudio do documentário seria obtido pelo visitante por meio fones de ouvido sem fio gratuitos que estariam disponíveis em uma caixa na entrada da sala.
Além disso, luzes negras com sensor de presença decorariam o interior da sala e causariam impacto no visitante assim que ele adentrasse o recinto.
Para o melhor funcionamento do Museu-Cinema durante o dia, a instalação de brises móveis automatizados por cima dos fixos que já revestem o interior da escola seria ideal. Os brises móveis seriam equipados com sensores de luminosidade que mudam o ângulo de inclinação dependendo da intensidade da luz solar externa.

No andar de baixo, próximo as escadas que dão acesso ao mezanino, placas informativas chamariam a atenção do visitante que entra na escola, contudo não sabe de imediato o que tem para ser visto no piso superior.

Represetação do Projeto de Automação Interativa


O objetivo da minha intervenção foi dar à Escola de Arquitetura um enfoque turístico de maneira que ela dialogue com a cidade e seus habitantes e seja vista como patrimônio.


Resumo Reflexivo do texto "Animação Cultural" de Vilém Flusser

Lemos o texto do filósofo tcheco Vilém Flusser, o qual chamou bastante atenção de todos os alunos por se tratar de um texto escrito em forma de personificação: uma mesa fala, sente e preside uma espécie de reunião para elaborar o que o autor chama de "Declaração dos Direitos Objetivos" a qual faz parte de uma estratégia revolucionária dos objetos de serem os dominadores da humanidade, e não o oposto.
Nesse contexto, a mesa inicia seu discurso alegando que os objetos foram inventados com o propósito de servir os humanos, ou seja, "escravos natos". A partir dessa definição, o autor faz uma analogia muito interessante com o mito da criação do homem: uma estátua de barro feita por um demiurgo que, ao soprar o objeto a fim de animá-lo, dá vida ao que seria o primeiro ser humano. Dessa maneira, é evidenciado no texto que os objetos são superiores aos seres humanos por serem "mais antigos" que eles e por ter sido por meio deles que estes foram "criados".
Também chamou muito a minha atenção a maneira sucinta e pragmática como o autor resume basicamente o funcionamento do mundo e dos objetos de estudo da ciência em geral, a isso ele dá o nome de "Relação Triangular": existe o terreno dos fenômenos inanimados (estudado pela física e pelas outras ciências exatas), o dos fenômenos animados (estudado pela biologia e demais ciências inexatas) e finalmente o terreno dos objetos estudado pelas ciências da cultura. Assim, a interação entre os fenômenos inanimados com os animados resulta nos objetos e condiciona os mesmos.
Flusser também cita alguns períodos históricos ligados a importância adquirida pelos objetos no mundo científico e industrial: no século XIX, os objetos (mais especificamente, os aparelhos) tornaram-se imprescindíveis para o progresso da ciência. No discurso da mesa, ela diz que esse foi um passo importantíssimo rumo a tão sonhada emancipação do condicionamento de "escravidão" dos objetos; já no século XX, os aparelhos adquiriram tamanha complexidade que escaparam ao controle da humanidade; finalmente, no século XXI a ciência passa a ser dirigida pelos aparelhos e os homens agora assumem tarefas meramente funcionais e subalternas. Nessa passagem, presume-se que o autor faz uma referência a Revolução Técnico-Científica Informacional ou Terceira Revolução Industrial a qual foi responsável pela total integração entre a ciência, a tecnologia e a produção. Em contrapartida, ocorre a terceirização da economia que é derivada do processo de substituição do homem pela máquina. 
Outra afirmação que merece destaque no texto é a de que "a tecnologia desvaloriza a cultura", ou seja, que a "superação dos valores"  nos campos da arte, da reflexão e da sociedade em geral se deve aos objetos tecnológicos.
Segundo a mesa, a principal meta dos objetos para alcançar seu objetivo é se auto desvincularem da ciência da cultura. Para isso, ela deve deixar de ser considerada um conjunto de "bens" e passar a ser um conjunto lúdico e vivo.
Por fim, ela conclui que os objetos não são simplesmente fruto da produção humana, mas sim "animação programadora" capaz de influenciar o comportamento humano, e essa seria a essência do ser-objeto. Essa proposição é extremamente verdadeira quando paramos para refletir nos dias de hoje. Você manipula o objeto ou é manipulado por ele? A Revolução não é nada mais que a inversão da relação "homem-objeto". A humanidade passou a comportar-se em função do funcionamento dos objetos e é em função deles que a humanidade é animada/programada. Conforme o próprio autor, "É em função de mesas, tijolos, lâmpadas elétricas e aparelhos de TV que a humanidade vive".
Desse ponto em diante, podemos compreender melhor a escolha do título do texto a partir do argumento final usado pela mesa: "Nós, os objetos, que constituímos a cultura, temos o Direito inscrito no nosso estar-no-mundo, de animar a humanidade para que esta funcione em função dos nossos jogos, e destarte alcance a felicidade. A animação cultural é o nosso Supremo Direito Objetivo."