A Animação
que deveríamos fazer individualmente, representando do local que o grupo
escolheu nos arredores da Praça Comendador Negrão de Lima – no meu caso, o “Nicho”
-, consiste em uma representação temporal das sensações que o lugar desperta e
não em uma simples representação física do espaço. Para isso, utilizamos a
ferramenta “cenas” do software em questão para trabalhar as dimensões do tempo
e do comportamento e não só criar um modelo estático. O objetivo foi contrapor
funcionalidades, uma vez que tivemos que lançar mão de um programa que trabalha
apenas com o plano tridimensional para apresentar questões sensitivas.
Com o a
minha animação eu quis mostrar o ambiente que é capaz de ser recriado por meio
de uma observação aprofundada. Muitas vezes o potencial de um espaço é ignorado
simplesmente porque não temos tempo ou interesse de estudá-lo e experimentá-lo
de diferentes formas, as quais não foram precisamente pensadas pelos
planejadores daquele espaço. Assim, o "Nicho", apenas um espaço vazio e sem uso, se transforma em um lugar imenso em possibilidades, como o grupo quis explorar na nossa performance corporal (ainda por ser postada).
A rigidez geométrica das formas do vídeo, remontam à espacialidade sólida e inusitada da estrutura real, mas que mesmo assim é capaz de ser convidativa para a observação e utilização do espaço, como foi para o meu grupo.
A sequência da câmera, que passeia gradativamente pelas superfícies e "filma" os mais diversos ângulos, imita o próprio movimento dos olhos que exploram cada face desvendando o potencial da espacialidade, inicialmente limitada, mas que por fim se abre transcendendo o pequeno cubo vazio.
O formato - como de um monóculo - remete à curiosidade. É como alguém se sente para ver a foto minúscula que antigamente era colocada dentro desses pequenos objetos.